
O governo do Louis Nine Fingers teve vários pontos positivos (só seguir a política econômica criada pelo FHC já foi um marco), temos que admitir, mas também foi marcado por frustração nas grandes mudanças que esperávamos acontecer, tais quais as reformas (bem feitas) da previdência, tributária e fiscal entre outras. Mas, ao meu ver, o que o atual governo tupiniquim mais me decepcionou foi em uma premissa básica de todos os países que saíram de uma situação de pobreza e passaram a integrar o bloco dos países de ponta, que foi a redução de gastos públicos e investimento em educação e tecnologia.
Vejam alguns dados que ressaltam o quanto os eleitores brasileiros precisam ter melhor consciência e votar em homens (e mulheres) públicos que defendam a redução de gastos da máquina pública (Gazeta Mercantil, São Paulo, 29 maio 2006, p. A-5)
1) relação carga tributária/PIB: no Brasil é de 40%, enquanto na China é de 19%; na Coréia do Sul, 24%; Taiwan, 19%; Tailândia, 18%;
2) relação gastos públicos/PIB: no Brasil é de 40%, enquanto na China é de 28%; Coréia do Sul, 23%; Taiwan, 21%; Tailândia, 18%;
3) relação crédito/PIB: no Brasil é de 30%, enquanto na China é de 166%; Coréia do Sul, 149%; Taiwan, 167%; Tailândia, 91%;
Porquê é importante o governo reduzir os gastos públicos? Afinal, este dinheiro não vai para servidores públicos que consomem produtos e que fazem a roda da economia girar? Resposta: Em partes, em primeiro lugar porquê o governo gasta mal. Muito do dinheiro é desperdiçado em organizações não eficientes, projetos ineficazes além da corrupção e supervalorização que ainda são fortemente presentes no Brasil. Em segundo lugar porquê o governo, com este gasto gigante, precisa de fontes de financiamento, recorrendo a empréstimos bancários para ter o caixa para manter esta máquina gigante funcionando. Ora, se o governo vai aos bancos pedir empréstimos, os bancos preferem emprestar ao governo do que a iniciativa privada, pois o risco é bem menor. Logo, se os bancos estão destinando mais verbas para emprestar para o governo, pouco dinheiro sobra para emprestar as empresas, aí vale a lei da oferta e demanda, se há uma procura maior do que a oferta o preço sobe, logo, os juros cobrados para empréstimos para a iniciativa privada vão para cima como um rojão.
Só para ilustrar, a dívida pública interna fechou 2008 em R$ 1,397 trilhão (só para comparar, o PIB do Brasil em 2008 chegou a R$ 2,9 trilhões, ou seja, o governo é devedor de uma quantia que é quase igual a metade do que o brasil inteiro, público e privado, produzem ao longo de um ano). Desta forma, vemos 40% do PIB brazuca sendo gasto de forma ineficiente, sem contar a pressão que as taxas impõem ao produto nacional, diminuindo nossa competitividade no jogo mundial. E para ajudar o nosso senado aumenta o cabide de empregos com "atos secretos" gerando mais contratações sem nem passar pelo crivo das boas práticas públicas de transparência.
Ainda temos algum tempo até o final do mandato do PT, vamos ver se o nosso querido presidente se toca e começa uma guinada para o lado correto, que é o da austeridade e redução dos gastos públicos, e incentivo nos investimentos para a indústria, tecnologia e educação nacionais, que são as áreas tratam este dinheiro com eficiência e realmente preparam o Brasil para um futuro mais competitivo e sereno.

Tenha fé!
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